domingo, 5 de setembro de 2010

 
 
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Instituto Moreira Salles abre em 26 de junho duas novas exposições

O Instituto Moreira Salles de Poços de Caldas (rua Teresópolis, 90, Jardim dos Estados) abre no dia 26 de junho duas novas exposições: Charles Landseer: desenhos e aquarelas de Portugal e do Brasil – 1825-1826 e Vida e obra de Mario Seguso, que faz parte do ciclo de exposições O Artista e a Cidade. Segue abaixo a descrição de cada uma das mostras.

Charles Landseer: Desenhos e Aquarelas de Portugal e do Brasil – 1825-1826

Trata-se da maior exposição individual das imagens feitas por Charles Landseer como artista oficial da missão diplomática britânica – chefiada por Charles Stuart – que tinha o objetivo de negociar o reconhecimento, por parte de Portugal e da Grã-Bretanha, do recém-independente Império do Brasil. Com curadoria de Leslie Bethell, professor emérito de história latinoamericana na Universidade de Londres, a exposição reúne 157 obras.

Charles Landseer (1799-1879) é considerado um dos mais importantes artistas viajantes que visitaram o Brasil nas duas décadas posteriores a 1808 – como Nicolas Antoine Taunay, Jean-Baptiste Debret, Thomas Ender, Johann Moritz Rugendas, Augustus Earle e o botânico William John Burchell, este também integrante da missão Stuart.

Durante os três meses que passou em Portugal, Landseer fez mais de 90 desenhos e aquarelas dos mosteiros, igrejas, palácios e castelos de Lisboa e das localidades vizinhas, assim como do povo das ruas lisboetas: marinheiros, barqueiros, camponeses, trabalhadores, mendigos, padres e frades.

Já no Rio de Janeiro, onde permaneceu por cinco meses, o artista produziu mais de uma centena de desenhos e aquarelas. Ali foi a natureza tropical o que mais o impressionou, assim como a escravidão urbana – os cativos africanos que trabalhavam como criados domésticos, carregadores e artesãos.

Landseer também acompanhou Stuart em viagens pelo litoral, ao norte e ao sul do Rio de Janeiro, e registrou as paisagens e os moradores das cidades por onde passaram: Recife e Olinda, Salvador, Vitória, Desterro (Florianópolis), Santos e São Paulo. Por fim, na viagem de regresso à Inglaterra, fez ainda vários desenhos dos Açores e de sua população.


Paralelamente à abertura da exposição, o IMS apresenta o livro homônimo Charles Landseer: desenhos e aquarelas de Portugal e do Brasil – 1825-1826. A publicação funciona como uma narrativa visual do trajeto feito por Landseer, em que cada capítulo representa uma etapa de sua viagem. Bilíngue (inglês/português), o livro tem texto de introdução de Leslie Bethell, que contextualiza a produção artística de Landseer com o cenário histórico da época, vivido entre Brasil, Portugal e Grã-Bretanha.

Charles Landseer: desenhos e aquarelas de Portugal e do Brasil – 1825-1826
236 pgs
ISBN: 978-85-86707-49-0
21 x 25,5 cm
R$ 140,00


Sobre Charles Landseer:

Embora jovem e inexperiente, Landseer havia recebido rigorosa formação de seu pai John Landseer, de professores particulares e na Academia Real em Londres. Os mais de 300 desenhos (a lápis, tinta, e carvão) e aquarelas realizados durante a missão Stuart a Portugal e ao Brasil, guardados em um grande caderno de desenhos encadernado em couro, são um tributo à seriedade e à diligência com que realizou suas tarefas como artista oficial.

De volta à Inglaterra, sir Charles Stuart insistiu em ficar com o caderno de desenhos de Landseer, alegando sua condição de chefe da missão. O caderno permaneceu então sob a guarda da família Stuart, no castelo de Highcliffe, por quase um século. Somente em 1926 seria adquirido pelo empresário e colecionador carioca Guilherme Guinle, que, antes de morrer, em 1960, presenteou o sobrinho – o banqueiro Cândido Guinle de Paula Machado – com o que se tornara conhecido como Álbum Highcliffe. Em 1999 o álbum foi incorporado ao acervo do Instituto Moreira Salles.


Vida e Obra de Mario Seguso

Mario Seguso nasceu em 1929, na ilha de Murano, em Veneza, Itália, numa tradicional família de vidreiros, cujas origens remontam ao século XIII. Cresceu entre Veneza e Murano, em grande intimidade com a arte veneziana e o universo da produção de vidro de sua ilha natal.

Durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), frequentou o Regio Istituto d´Arte, onde estudou desenho e gravação em vidro. Ainda em Murano, trabalhou como gravador na renomada firma de cristais Salir. Assim que as condições do "pós-guerra" melhoraram, estabeleceu um ateliê próprio de gravação, logo sendo reconhecido pela qualidade de seu trabalho nessa área.

Em 1954, Mario Seguso aceitou o convite da Cristais Prado, então estabelecida no Brasil, para vir a São Paulo executar uma série de gravações em objetos de vidro para as comemorações do quarto centenário da cidade. Durante os dois anos de seu contrato com a empresa, teve a oportunidade de vivenciar a metrópole em sua fase de intenso desenvolvimento. Também nesses anos, viajou com um amigo para a Amazônia, com o firme propósito, porém frustrado, de garimpar diamantes. Muito o impressionou, no entanto, a riqueza da fauna e da flora locais, temas que se tornaram recorrentes em toda sua obra futura.

De volta a São Paulo, contemplando do avião a imensidão do território brasileiro, decidiu que esta seria sua pátria, onde vislumbrou uma liberdade que acreditava ser imprescindível à sua criação. Aqui permaneceu como gravador.

Em 1957, casou-se com Rita Borriello, também imigrante italiana, que muito o auxiliou no estabelecimento e na organização de sua oficina de gravação.

A necessidade de produzir um vidro de melhor qualidade, que se assemelhasse às características do vidro de Murano, levou-o a procurar uma cidade com pré-requisitos bem definidos: serrana, pelo clima ameno, turística, pelo potencial de vendas, e próxima a São Paulo, pela facilidade de transporte. Mudou-se então com a esposa e dois filhos para Poços de Caldas, em 1959, e criou a Cristais Cá d´Oro em sociedade com o cunhado e outro sócio.

A fábrica produz em duas frentes: uma comercial, de utilitários, como vasos, copos, pratos, garrafas e objetos decorativos, e que cria condições para que a outra exista; outra de objetos autorais, que traduz o profundo conhecimento de Mario Seguso das possibilidades do vidro, como cor, transparência e forma.

A exposição que o Instituto Moreira Salles apresenta no Chalé Cristiano Osório reúne uma série de peças de sua produção desde os anos 1960, num lavoro diário de criação, dedicação e persistência que tanto tem divulgado o nome de Poços de Caldas pela arte do vidro.

Charles Landseer: desenhos e aquarelas de Portugal e do Brasil – 1825-1826
Vida e obra de Mario Seguso

Vernissage: 26 de junho, às 20h
Exposição: De 27 de junho a 26 de setembro de 2010
Horário de visitação: de terça a domingo, das 13h às 19h

Instituto Moreira Salles – Poços de Caldas
Rua Teresópolis, 90, Jardim dos Estados; tel.: (0 xx 35) 3722-2776
Entrada franca; estacionamento gratuito no local

Mais informações para a imprensa pelo telefone (0 xx 35) 3722-2776
www.ims.com.br
http://twitter.com/imoreirasalles

IMS


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